Os Covers

UM NICHO DENTRO DA COMUNIDADE

Para muitos fãs de K-Pop, a dança deixou de ser apenas um dos aspectos admirados nos artistas do gênero e se tornou também uma forma de expressão. Formado por mais de 400 jovens entre 14 e 30 anos, o K-Cover do Rio de Janeiro se tornou uma comunidade dentro da própria comunidade de K-Poppers, com direito a eventos exclusivamente voltados para performances, página e grupo no Facebook que buscam reunir os interessados no meio e divulgar a atuação dos covers.

Em pesquisa divulgada no grupo de facebook RIOKCover, foi revelado que 85% dos participantes que responderam já cultivavam um interesse pela dança mesmo antes do cover, e ao se deparar com as coreografias super elaboradas, características do K-Pop, surgiu a vontade de reproduzir aquilo que só se via através das telas.

 

Os covers de K-Pop começaram a ganhar expressão por volta de 2011, quando os grupos se apresentavam majoritariamente em eventos de anime*. Atualmente, com uma base de fãs de K-Pop consolidada, já existem eventos voltados especificamente para a performance de covers, assim como eventos que reservam parte de sua programação para esse tipo de atividade. A K-Pop Expo Dance, ou KED, é um exemplo disso. O evento teve início em 2016, quando os produtores Carlos Geraldo e Wagner Gomes perceberam a carência de eventos voltados para este público: “os concursos K-Pop eram inseridos nos eventos de anime e tratados apenas como mais uma atividade”, conta Carlos, que junto de Wagner buscou criar um concurso que incluísse diferentes categorias e premiações mais justas.


 



 


 

Atualmente, em sua 5ª edição, a KED teve uma média de público de 250 pessoas e 100 competidores, um crescimento expressivo em comparação à primeira edição, em 2016. Com a evolução do evento foram adicionadas também novas categorias no concurso: canto e debut (estreia nos palcos). Segundo Nathalia Moreira, coordenadora do evento, o respeito aos competidores e público é um dos motivos para o crescimento da KED.

No caso de eventos como a KED e Hallyu Rio, a premiação é em dinheiro, mas o atrativo passa longe de ser apenas a recompensa financeira. As aspirações dos participantes são mais humildes e demonstram um envolvimento íntimo com a performance e entre seus integrantes, que priorizam desempenho e reconhecimento do público: “dançar, me divertir e me exercitar são objetivos gerais. Ganhar reconhecimento pelo nosso esforço e nos superarmos são objetivos em grupo”, explica Fabrizzio Bandoli.

 

Independente das metas, o processo de preparação desses grupos se assemelha. Devido à diversa faixa etária de seus participantes, as rotinas são das mais variadas: entre o compromisso com escola, faculdade e trabalho, os covers cariocas reservam boa parte do fim de semana para os ensaios, alguns deles dedicando até oito horas diárias para essa preparação.


 


 



Toda a dedicação e investimento vem despertando curiosidade. Recentemente, foi criada uma iniciativa com o objetivo de divulgar e fortalecer o apoio aos cariocas que fazem cover de K-Pop, a página RIOKCover. Ana Carolina Cardoso, idealizadora, explicou que a ideia surgiu na necessidade de um projeto pessoal para o curso de Publicidade na faculdade. Criada em setembro de 2017, a RIOKCover conta hoje com uma equipe de seis garotas e reúne mais de 500 participantes entre grupo e curtidores na página do Facebook. Além da rede social, o projeto também ganha espaço no Youtube, onde são publicadas cobertura de eventos e entrevistas com os covers cariocas.

 

O enfoque midiático, no entanto, não é exclusivo de criadores de conteúdo para o nicho K-Popper. Recentemente os covers cariocas também ganharam destaque na grande mídia, tanto impressa quanto televisiva. Anteriormente, em 2015 e 2016, grupos cariocas como B5 e Vectors apareceram em programas de grande audiência como o “Esquenta!” e o “Encontro com Fátima Bernardes”. Em 2018 o K-Cover foi pauta do programa Balanço Geral RJ - representado pelo Dollars Dance Team, grupo feminino que também estampou capa do caderno Diversão do Jornal Extra. Segundo Gustavo Cunha, que assina a matéria do impresso, a pauta foi sugerida por uma estagiária que é K-Popper declarada. “Os editores gostaram da ideia, pois perceberam que o tema era realmente um fenômeno entre jovens da cidade”, explicou.




 

 

 

 

 



 

 

 


 

 

Andressa Bindi, do Dollars, conta que “o foco principal sempre foi fazer o que se gosta e poder mostrar um pouco do nosso amor pela dança e pelo K-Pop. Quando tivemos a oportunidade de participar de entrevistas e mostrar um pouco do nosso grupo foi realmente bem gratificante”.

Além das meninas, o grupo Vectors também teve destaque na matéria do jornal carioca, onde ambos os grupos tiveram a oportunidade de dividir suas experiências com um público majoritariamente desabituado à prática do K-Cover. Rafael Migon, do Vectors, conta que a grande diferença entre os públicos é a aceitação imediata: “a gente ainda vê muita gente sem conhecer bem essas culturas, que acaba estranhando a princípio, mas normalmente as pessoas levam bem de boa, às vezes até se interessam em saber mais”.

5ª edição da K-Pop Expo Dance

5ª edição da K-Pop Expo Dance

5ª edição da K-Pop Expo Dance

5ª edição da K-Pop Expo Dance

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Competição de cover durante a 3ª edição do K-World

Competição de cover durante a 3ª edição do K-World

Competição de cover durante a 3ª edição do K-World

Competição de cover durante a 3ª edição do K-World

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